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Neurodesenvolvimento infantil: A importância de vínculos na primeira infância.


Vamos aproveitar este espaço para divulgar informações científicas de qualidade com um linguagem acessível!


Hoje vamos falar de um estudo muito interessante que mostra que o contato social na primeira infância muda as trajetórias de desenvolvimento do cérebro. Esse trabalho teve por objetivo investigar o impacto da privação social associada ao abandono nos primeiro anos de vida e os efeitos de um programa de adoção sobre o desenvolvimento do cérebro. Participaram do estudo três grupos de crianças: um grupo de crianças abandonadas quando bebês e criadas em um abrigo; um grupo de crianças que também foram abandonadas, mas que foram adotadas por famílias nos primeiro anos de vida; e um grupo de crianças que nunca foram institucionalizadas (grupo controle). Ao longo de aproximadamente três anos, a atividade cerebral dessas crianças foi avaliada por eletroencefalografia (EEG), um método que mede a atividade elétrica do cérebro usando eletrodos encostados na cabeça. O EEG permite observar, entre outras coisas, a comunicação entre neurônios que vai se estabelecendo ao longo do tempo, isto é, a formação de rede neurais associadas ao desenvolvimento. Como esperado, crianças abandonadas e criadas em abrigos tinham prejuízos na comunicação entre neurônios em comparação aos dois outros grupos. Mas, o achado mais interessante foi encontrado no grupo de crianças adotadas. Nesse grupo, o desenvolvimento cerebral melhorava a partir do momento em que as crianças eram colocadas em novas famílias. E quanto mais cedo elas eram adotadas, mais parecido era o desenvolvimento do seu cérebro com aquele das crianças do grupo controle. Portanto, esse estudo mostra que o contato social, que é especialmente dado pela mãe nos primeiros anos, é muito importante e que ao receber cuidados e afeto, um bebê se desenvolve muito melhor.


Referência: Stamoulis, C., Vanderwert, R. E., Zeanah, C. H., Fox, N. A., & Nelson, C. A. (2015). Early psychosocial neglect adversely impacts developmental trajectories of brain oscillations and their interactions. Journal of Cognitive Neuroscience, 27(12), 2512–2528.



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