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Depressão na Gestação

Sabemos hoje que a gestação é um período muito associado com depressão. Por exemplo, existem estimativas de que cerca de 13% das mulheres terão um episódio depressivo durante a gravidez. Estima-se ainda que esses números sejam bem maiores em países em desenvolvimento como o nosso. Contudo, apesar do grande número de mulheres com depressão na gestação e do intenso sofrimento que esta condição provoca, menos da metade das pessoas com esse diagnóstico recebem tratamento adequado. Por esses motivos, a depressão é um problema de saúde pública que merece a atenção de todos. Então, vamos falar um pouco sobre depressão na gestação?


A depressão é um transtorno mental que têm como características sentimentos de tristeza, vazio ou irritação, muitas vezes acompanhados de falta de vontade ou dificuldade de fazer as coisas. É comum aparecerem também problemas de sono e apetite, além de alterações na capacidade de atenção, memória e pensamento. A depressão pode se iniciar em diversos períodos da vida, nem sempre tem uma causa definida e pode durar meses ou anos.


Mas como saber se o que estou sentindo é depressão? Se eu estiver triste, isso significa que estou deprimida? Essa é uma dúvida muito comum e bem importante. Todas as pessoas sentem tristeza em algum momento da vida. Nesses momentos, elas podem até se descrever como “deprimidas”. Entretanto, isso não significa que elas estejam com depressão. Vamos tentar diferenciar um pouco essas duas condições.


Tristeza é um estado emocional frequentemente associado a eventos difíceis ou dolorosos, mas que pode desaparecer quando a situação melhora. A depressão, por outro lado, é uma síndrome, isto é, um grupo de sintomas que pode incluir, entre outras coisas, sentimentos intensos de tristeza (chamados de humor depressivo), e que muitas vezes não tem um motivo específico. Em outras palavras, pessoas deprimidas podem se sentir deprimidas com tudo, mesmo sem um motivo aparente. Além disso, a depressão não necessariamente tem relação com tristeza. Pode acontecer de haver perda de interesse ou prazer em fazer coisas que anteriormente eram consideradas agradáveis.


A tristeza e a depressão também se diferenciam quanto à sua duração. Enquanto que a tristeza comum costuma durar algumas horas ou dias, o humor depressivo permanece a maior parte do tempo e por um período muito mais prolongado (pelo menos duas semanas seguidas).


Uma outra diferença importante entre tristeza e depressão está no impacto sobre as atividades de vida. Na Depressão, os sintomas são tão intensos que prejudicam atividades em diferentes esferas da vida. Por exemplo, na esfera pessoal, pode ser difícil conviver com pessoas próximas e pode haver um afastamento da sua parte ou por parte dos outros. Profissionalmente, uma pessoa deprimida pode acabar perdendo prazos ou apresentando uma piora na qualidade do trabalho. Em alguns casos, a pessoa deprimida pode até conseguir executar um trabalho com a mesma qualidade de antes, mas isso é feito às custas de muito esforço e de um sofrimento emocional importante.


A diferenciação entre tristeza e humor deprimido pode ser muito difícil, especialmente quando tentamos avaliar nossos próprios comportamentos. Na gestação, a identificação de sintomas de depressão pode ser mais desafiadora ainda porque nessa fase, há mudanças no corpo e no humor que se assemelham muito aos sintomas da depressão. Por exemplo: é esperado que ocorram mudanças no apetite ou no sono (por conta de mudanças hormonais da gestação), mudanças estas que também são observadas em pessoas com depressão.

Se você está achando difícil lidar com as demandas dessa fase de vida ou se você está em dúvida se o que você sente ou pensa é esperado, procure um profissional de saúde. Quanto antes você procurar ajuda, mais cedo você poderá encontrar caminhos para lidar com os obstáculos que aparecem na sua vida!


Referências:

- Gavin, Norma I., Bradley N. Gaynes, Kathleen N. Lohr, Samantha Meltzer-Brody, Gerald Gartlehner, and Tammeka Swinson (2005). “Perinatal Depression: A Systematic Review of Prevalence and Incidence.” Obstetrics and Gynecology 106 (5 Pt 1): 1071–83.

- Gelaye, Bizu, Marta B. Rondon, Ricardo Araya, and Michelle A. Williams (2016). “Epidemiology of Maternal Depression, Risk Factors, and Child Outcomes in Low-Income and Middle-Income Countries.” The Lancet. Psychiatry 3 (10): 973–82.

- Belmaker, R. H., and Galila Agam (2008). “Major Depressive Disorder.” The New England Journal of Medicine 358 (1): 55–68.

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